Pedra Selada

Um dia depois do natal, dia 26 de dezembro, um casal de primos, Glauco e Dinha e nós, minha esposa Francine e eu, achamos que seria uma boa ideia aproveitar todas aquelas calorias a mais da indulgência natalina pra fazer uma trilha. Concordamos de ir na trilha da Pedra Selada, 1755m de altitude. Acordamos às 6 da manhã para terminar de preparar nossas mochilas. Levamos duas mochilas de hidratação e uma bolsa de máquina fotográfica com acessórios. Nessas mochilas, tínhamos protetor solar, capa de chuva (casacos), e muita comida. Ao final da trilha, constatamos que exageramos neste item, mas como planejamos passar o dia todo fora, achamos melhor prevenir. Levamos dois potes com salpicão, uns dois sanduíches de salpicão, uma vasilha com um cacho de uva, e uma vasilha com maças e peras. Ah, também levamos um pacote de cookies integral.

Saímos de casa umas 7h30. De Volta Redonda até Visconde de Mauá são 66 quilômetros. Deixamos para comprar água e usar o banheiro em Visconde de Mauá. Paramos em um mercadinho no meio do caminho, abastecemos as mochilas e seguimos até o começo da trilha da Pedra Selada. Somos recebidos pelos nativos, que nos explicam mais ou menos como é a trilha. Eles cobram 5,00 por carro pelo estacionamento, e mais 8 por pessoa. O lugar não é super fancy, mas as instalações são bem úteis. É uma boa ideia poder ir ao banheiro antes da subida, e a ducha e o tanque provaram sua utilidade quando voltamos (mais sobre isso depois…). Depois de passar por um arco, atravessamos um pedaço cercado em que vaquinhas e cavalos andam livremente (por isso, olhem por onde pisam). O dia estava MUITO quente, e subir todo aquele morro debaixo do sol foi bem difícil. Antes de começar, já tínhamos nos lambuzado de protetor solar.

Depois de andar ao sol por quase uma hora subindo um morro enorme, descansamos um pouco debaixo da primeira grande árvore (e sombra) no caminho. Nosso ritmo não era dos piores, mas fazíamos paradas regularmente para recuperar o fôlego. Em uma dessas paradas, um pouco depois que atravessamos uma bifurcação para a cachoeira, nos sentamos em uma área um pouco mais ampla, em que troncos serviam de bancos, e almoçamos. Essa acabou sendo a parada maior que fizemos, e não paramos pra comer mais (talvez algum snack rápido).

A trilha tem uns pedaços muito íngremes, e os batimentos sobem bastante, mas não tem dificuldade técnica. Não haviam muitos obstáculos no caminho além de um tronco de uma árvore que tinha caído e umas plantas espinhosas que podíamos facilmente evitar.

O único bloqueio considerável na trilha se deu quase lá em cima, depois do marco de 1500m. Tínhamos duas opções para passar por esse trecho. À esquerda, uma subida de terra bem escorregadia e lisa que parecia bem complicado de passar. À direita, um buraco e uma corda que parecia ainda mais impossível. Dinha e Francine estavam a frente e decidiram pela corda. Ambos tem por volta de 1,50m e tinham que subir a um nível que era mais ou menos dessa altura. O barranco estava côncavo e não tinha muito onde colocar o pé para dar o impulso. Quando uma tentou ajudar a outra impulsionando por baixo, uma pequena cobra laranja apareceu naquele vão em que estavam enfiadas tentando subir pela corda e fez com que perdessem todas as forças e escorregassem. Nesse ponto, não sabiam se riam, se se ajudavam, ou se vigiavam a cobrinha (que provavelmente estava mais assustada com elas ainda).

 

Depois de passada essa parte, o drama é bem menor. Tem umas pedras e vãos logo antes da chegada, mas nada comparado a esses trechos em que a corda é necessária.

 

 

 

 

 

Essas horas de subida compensam muito. Além da sensação de conquista que sentimos nesses momentos, a vista é maravilhosa. Tiramos fotos e fizemos questão de deixar um recadinho no caderno de visitas que fica lá no topo, em uma das pedras. Apressamos a descida porque começou a trovejar forte e nuvens densas e escuras estavam se aproximando.

 

 

A descida sempre flui melhor, e cobra mais das articulações do que do sistema cardiovascular. Graças a Deus, passamos pelos trechos complicados da cordinha e da cobrinha antes que a chuva nos encontrasse no meio do caminho. As árvores protegeram até certo ponto, mas ficamos ensopados. Não nos lembramos das capas de chuva. Fomos devagar, molhados, e chegamos na base daquele morro denovo. Alguns de nós estavam cobertos de lama, porque deslizaram no barro na descida. Pra isso o tanque e a ducha foram muito úteis. Nos lavamos e limpamos as roupas e sapatos na medida do possível e pegamos o carro de volta para Volta Redonda. Já havíamos decidido parar no meio do caminho para um café. Voltamos a uma lanchonete de frente ao mercado no qual paramos na ida e comemos sanduíches e tomamos café. A viagem de volta foi beeeem longa, e nós quatro estávamos mancando de cansaço muscular.

 

 

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